O Bernabéu emudeceu. O Real Madrid, o time que meia Europa dava como campeão da Champions antes das quartas de final, acabou de perder de 2 a 0 em casa para o Bayern de Xabi Alonso. Não foi uma derrota apertada. Foi uma aula.
Um primeiro tempo de alertas ignorados
O Madrid entrou com a intenção mas sem o plano. Desde o primeiro minuto, o Bayern controlou as transições com uma tranquilidade preocupante. Musiala encontrava espaços entre linhas, Sané esticava a defesa pela direita, e o meio-campo branco não achava forma de pressionar sem deixar buracos.
Lunin, titular pela lesão muscular de Courtois confirmada horas antes do jogo, respondeu bem em duas intervenções antes do gol. Mas aos 43 minutos, Luis Díaz apareceu para fazer o 1 a 0. Um gol que não surpreendeu ninguém que tivesse assistido aos primeiros 42 minutos. O Bayern estava sendo melhor e finalmente o placar refletiu isso.
Kane e o golpe definitivo
O intervalo não serviu para nada. Apenas um minuto depois da volta, Harry Kane — que tinha sido dúvida por lesão até horas antes do jogo — marcou o 2 a 0. Seu primeiro gol no Santiago Bernabéu. O estádio que nunca tinha conquistado como visitante caiu no momento mais importante possível.
Kane jogou com dores, mas jogou com determinação. A aposta de Xabi Alonso de escalá-lo como titular, questionada por muitos antes do jogo, ficou reivindicada com um gol que pode definir a eliminatória inteira.
Vinícius: o duelo que não aconteceu
Esperava-se que a noite girasse em torno do duelo entre Vinícius e Xabi Alonso, o técnico que o conhece como poucos. E assim foi, mas não como o Madrid queria. Alonso desenhou um plano defensivo que anulou o brasileiro por completo. Marcação dupla, antecipação e zero espaços para a arrancada. Vinícius terminou a partida sem gerar uma única chance clara. O duelo pessoal se resolveu de forma esmagadora a favor do treinador.
Para nós brasileiros, ver Vinícius apagado numa noite dessas dói de um jeito diferente. É o nosso cara ali, representando o Brasil no maior palco do futebol europeu. E não é que faltou vontade — faltou espaço. Xabi Alonso simplesmente sabia exatamente como tirá-lo do jogo.
O Madrid pode virar em Munique?
Historicamente, sim. O Madrid protagonizou viradas impossíveis na Europa. Mas este não é aquele Madrid. Este é um time a 7 pontos do Barcelona na Liga, com um treinador questionado, sem seu goleiro titular, e que acabou de mostrar em casa que não tem respostas diante de um rival organizado.
Virar um 2 a 0 na Allianz Arena exige algo mais do que mística. Exige um time que funcione. E o que vimos esta noite no Bernabéu não funciona.
O favorito mudou
Antes desta noite, a pergunta era se alguém podia parar o Madrid na Champions. Depois desta noite, a pergunta é se o Madrid consegue sobreviver à eliminatória. O Bayern não só ganhou o jogo. Ganhou a narrativa. E nesta Champions, isso importa quase tanto quanto os gols.
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