O Parc des Princes já sabia antes do apito inicial. Sempre sabe, quando o campeão defensor recebe um time que chega com mais medo de si mesmo do que do adversário. O PSG bateu o Liverpool por 2 a 0 na ida das quartas de final da Champions League, e o placar mal conta o quanto esses dois clubes estão em momentos diferentes agora.

Dembélé no minuto 34: é assim que a confiança se parece

Ousmane Dembélé passou as últimas três temporadas sendo descrito como um jogador que some nos momentos grandes. O minuto 34 não foi uma ausência. Hakimi arrancou pela direita com aquela aceleração que deixa laterais sem resposta. Três toques, mudança de ritmo, passe rasteiro ao segundo poste. Dembélé chegou em velocidade e, sem dominar, bateu de voleio ao primeiro poste, onde Alisson nada pôde fazer.

Ele não foi buscar a bola. Ele já estava lá. É isso que um ano ganhando os jogos mais importantes da Europa faz com um futebolista: elimina a hesitação.

Para o Liverpool, foi o gol que confirmou o que muitos já suspeitavam. Esse não era um time que foi a Paris para competir. Era um time que chegou esperando que o adversário fosse generoso.

O segundo tempo que o Liverpool conseguiu oferecer

Mérito reconhecido: o Liverpool voltou diferente após o intervalo. Salah encontrou espaço pela primeira vez, obrigou Donnarumma a uma boa defesa num chute seco da entrada da área. Gakpo passou por cima de marcadores. Por quinze minutos, Anfield começou a parecer possível.

Aí Luis Enrique mexeu. Um bloco defensivo em 4-4-2 que fechou os corredores centrais e deixou o Liverpool apenas com cruzamentos e bola parada como alternativas. Slot não teve resposta. A conversa tática já tinha acabado antes de Gonçalo Ramos encerrá-la.

Ramos no minuto 74: o desfecho clínico de um plano clínico

Vitinha recuperou a bola no meio-campo com a inteligência de quem entendeu que o Liverpool estava esgotado. Virou, tocou para frente, e Gonçalo Ramos saiu nas costas do último defensor. Um toque. Uma finalização. 2 a 0.

Não havia drama na comemoração de Ramos. Apenas o reconhecimento tranquilo do que havia acontecido: mais uma noite de Champions League, mais um gol, mais um passo em direção ao troféu que seu clube está defendendo.

Anfield pode criar o ambiente. A questão é quem vai entrar em campo

O Liverpool precisa de três gols em Anfield sem tomar nenhum. O estádio vai fazer a sua parte — sempre faz. O barulho vai ser real. A pressão vai ser real. Mas esse Liverpool levou quatro gols em um jogo só contra o City na FA Cup. Chegou até aqui na temporada sem uma identidade tática definida e sem clareza sobre quem vai treinar o clube daqui a doze meses.

Um time coletivamente inseguro do próprio futuro não é um time que vira um 0 a 2 contra o atual campeão da Champions League. Anfield merece mais do que o que vai entrar no seu gramado na próxima terça.

A história do PSG continua. A do Liverpool está chegando ao fim.

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