O 0-0 no Alvalade foi um resultado conveniente para o Arsenal e um enigma para o Sporting. Conveniente porque o Arsenal trouxe um empate a zeros para o Emirates, onde tem mais recursos para resolver. Um enigma porque Gyökeres teve o seu momento e não rematou com a convicção habitual. A 15 de abril, essa história tem segunda parte. Desta vez o contexto emocional é completamente diferente.
O que o Alvalade não te conseguiu dar, o Emirates consegue
O jogo em Lisboa foi peculiar. Arteta montou um bloco conservador, quase excessivamente cauteloso para ser a equipa amplamente favorita. O Arsenal não foi lá para ganhar — foi para não perder. O plano funcionou. Mas esse mesmo plano no Emirates, perante uma adepção que espera esta noite há semanas, pode tornar-se um problema se o Sporting sair a atacar desde o primeiro minuto.
No Emirates, Arteta tem de tomar uma decisão que não teve de tomar em Lisboa: avançar ou esperar? O 0-0 no marcador significa que qualquer golo do Sporting obrigaria o Arsenal a marcar dois. Não é uma posição tão confortável como parece.
Gyökeres sem a estátua que deixou para trás
No Alvalade, Gyökeres foi o protagonista de uma história que não terminou bem para ele. O estádio onde marcou 97 golos, onde se tornou lenda, onde os adeptos ainda murmuram o seu nome quando recordam as melhores temporadas. Todo esse peso esteve presente na quarta-feira. E esse peso pode explicar o remate fraco do minuto 67 que deveria ter sido golo.
No Emirates, esse peso não existe. Gyökeres chega como o que é: um avançado de elite com uma dívida consigo mesmo. Não o ídolo que regressa, não o filho pródigo. Apenas o avançado que falhou uma oportunidade clara há uma semana e que sabe que esta é a sua noite. Isso torna-o mais perigoso, não menos.
Amorim e o fator surpresa
Ruben Amorim tem algo que poucos treinadores levam para o Emirates: um plano que já demonstrou que consegue calar os favoritos. O 0-0 no Alvalade não foi um jogo onde o Sporting se limitou a defender. Foi um jogo onde o Sporting executou um design tático preciso que impediu o Arsenal de criar oportunidades. Com esse precedente, Amorim chegará com a confiança de quem sabe que pode fazê-lo de novo.
Se o Sporting marcar antes do intervalo, o ambiente no Emirates complica-se. A adepção do Arsenal tem paciência quando a equipa está a ganhar. Quando está a perder, a pressão sobe imediatamente.
O que o Arsenal precisa para resolver isto
Arteta tem de encontrar a verticalidade e profundidade que não procurou em Lisboa. Martinelli, Saka e Havertz podem produzir mais. Ødegaard pode ser o diferencial se encontrar os espaços entre linhas que o Sporting fechou no Alvalade mas que são mais difíceis de manter em campo alheio. O Arsenal tem qualidade para ganhar este jogo. A questão é se Arteta está disposto a comprometer-se com isso desde o primeiro minuto.
Um Arsenal corajoso e vertical no Emirates é demasiado para o Sporting. Um Arsenal que especula é o cenário ideal para Gyökeres decidir a eliminatória.
O veredicto
O Arsenal passa, mas não com o conforto que o 0-0 sugeria. Gyökeres vai marcar no Emirates — a dívida existe e ele é o tipo de avançado que as salda. Mas o Arsenal tem qualidade suficiente em casa para resolver a eliminatória se Arteta libertar o potencial ofensivo da equipa. Uma noite de grande tensão, com o resultado mais provável a ser um Arsenal vitorioso que não terá vida fácil.
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